Como medir a maturidade em segurança da informação

Toda empresa que já sofreu um incidente conhece o roteiro que vem depois: a diretoria libera verba de emergência, o mercado oferece uma ferramenta para cada dor e, seis meses depois, o ambiente tem mais licenças, mais consoles e a mesma incapacidade de responder à pergunta fundamental, a de saber se a empresa está mais segura do que estava. Comprar tecnologia virou o reflexo padrão, e medir o próprio estágio segue sendo a exceção. É essa inversão que o conceito de maturidade em segurança da informação corrige: antes de decidir para qual direção correr, é preciso saber com precisão de que ponto se está partindo.

Os números brasileiros mostram o tamanho da distância entre discurso e prática. A terceira edição da Pesquisa de Maturidade da Indústria em Cibersegurança, conduzida pela FIESP em 2025, revelou que 48,6% das indústrias consideram a cibersegurança algo necessário, mas não prioritário, enquanto apenas 29,7% a tratam como prioridade estratégica e 23,5% a enxergam como mera obrigação, sem benefício para o negócio. Investe-se cada vez mais, prioriza-se cada vez menos, e o resultado é um parque de ferramentas sem estratégia que as conecte.

O que é maturidade em segurança da informação

A maturidade em segurança da informação é a medida de quão estruturados, repetíveis e integrados ao negócio são os processos de proteção de uma empresa, para além da simples presença de tecnologias. Nos modelos mais usados para medir a maturidade em segurança da informação, a escala parte de um estágio inicial, no qual as ações são reativas e dependem de pessoas específicas, passa por níveis nos quais os processos ganham documentação, medição e gestão, e culmina em um estágio otimizado, no qual a segurança se ajusta continuamente aos riscos e aos objetivos do negócio.

A distinção central está entre ter controles e ter capacidade. Uma empresa pode possuir firewall, antivírus e backup e ainda assim ocupar o degrau mais baixo da escala, porque ninguém sabe dizer se as configurações refletem uma política, se os alertas são tratados dentro de um prazo definido ou se a restauração já foi testada. Maturidade não pergunta o que foi comprado, pergunta o que acontece de forma consistente quando ninguém está olhando, e essa diferença explica por que empresas com orçamentos parecidos sofrem consequências tão distintas diante do mesmo tipo de ataque.

Frameworks reconhecidos dão régua e vocabulário a essa medição. O NIST Cybersecurity Framework, atualizado na versão 2.0, organiza a disciplina em funções que vão da governança à recuperação; a ISO 27001 estrutura o sistema de gestão de segurança da informação com base em riscos; e os controles do CIS oferecem uma hierarquia prática de implementação. Mais importante do que a escolha do modelo é a consistência: avaliar sempre pela mesma régua é o que permite comparar o hoje com o ontem e transformar a evolução da maturidade em segurança da informação em um indicador acompanhável pela liderança.

Por que medir a maturidade em segurança da informação antes de investir

Investir sem diagnóstico é decidir no escuro, e as evidências sugerem que a maior parte das empresas brasileiras decide exatamente assim. Levantamento da FTI Consulting divulgado em 2026 mostrou que apenas 16% das empresas contam com um CISO dedicado e estratégico, enquanto cerca de 56% operam sem essa função ou liderança equivalente responsável pela segurança da informação. Sem alguém com mandato para olhar o conjunto, cada área compra a proteção que conhece, os fornecedores pautam as prioridades e o orçamento se fragmenta em iniciativas que não conversam.

O retrato agregado confirma o estágio intermediário do país. A Pesquisa Setorial em Cibersegurança de 2024, do Markets, Innovation & Technology Institute em parceria com o Security Design Lab, situou a média das empresas brasileiras em 53% de aderência às melhores práticas, um grau mediano que o próprio estudo considera insuficiente, já que um patamar saudável exigiria índice superior a 60%. A leitura prática é direta: na média, quase metade dos controles esperados não existe ou não funciona, e sem uma avaliação formal cada empresa desconhece qual metade é a sua.

A medição também muda a qualidade da conversa com a diretoria. Um relatório de maturidade em segurança da informação traduz o tema para a linguagem que o conselho entende, com estágio atual, comparação setorial, riscos priorizados e a distância até o nível desejado. Em vez de pedir orçamento com base no medo do próximo incidente, o gestor passa a apresentar um plano com ponto de partida, destino e marcos intermediários, o mesmo formato exigido de qualquer outra área do negócio, e essa mudança de enquadramento costuma valer mais do que qualquer ferramenta nova, como já discutimos no artigo sobre como calcular o ROI dos investimentos em segurança.

Como avaliar a maturidade em segurança da informação na prática

Uma avaliação séria de maturidade em segurança da informação combina três fontes de verdade: o que está escrito, o que as pessoas dizem e o que as evidências mostram. O trabalho começa pela definição de escopo e pela escolha do framework de referência, avança com a análise de políticas e documentação, segue com entrevistas estruturadas com as áreas de tecnologia e de negócio e se completa com a verificação técnica, que confere se o controle declarado existe e opera como descrito. A distância entre o discurso das entrevistas e o achado das evidências é, por si só, um dos diagnósticos mais reveladores do processo, porque mostra em quais domínios a empresa acredita estar protegida sem estar, o que é precisamente a condição na qual os incidentes graves acontecem.

O resultado precisa ser granular para ser útil. Uma nota única esconde mais do que revela; a avaliação madura atribui estágio por domínio, cobrindo governança, gestão de riscos, proteção de dados, gestão de identidades, segurança de infraestrutura, resposta a incidentes e continuidade. É esse detalhamento que expõe os desequilíbrios típicos, como a empresa tecnicamente sofisticada na proteção de perímetro e incapaz de dizer quem tem acesso a quê, e é dele que nasce a priorização honesta do plano de evolução.

O envolvimento da liderança durante a avaliação não é formalidade, é fator de sucesso. Análise da Grant Thornton publicada em 2026 aponta que apenas 58% das grandes empresas brasileiras relatam liderança plenamente envolvida com a agenda de segurança, percentual ainda menor nas médias e pequenas, e conclui que sem patrocínio executivo a maturidade estagna. Quando o comitê de direção participa da definição do nível desejado, o resultado deixa de ser um relatório técnico arquivado e vira um compromisso de gestão com dono e prazo.

Do diagnóstico ao plano diretor de segurança

O diagnóstico só cria valor quando deságua em um plano diretor de segurança da informação, o instrumento que ordena a evolução ao longo de um horizonte de 12 a 36 meses. A lógica de priorização parte do retrato de maturidade em segurança da informação e cruza a criticidade do risco com o esforço de implementação: primeiro as correções de alto impacto e baixo custo, os ganhos rápidos que financiam politicamente o restante do programa, depois as iniciativas estruturantes, como gestão de identidades, resposta a incidentes e continuidade de negócios, que exigem fôlego e patrocínio.

O plano também disciplina o investimento em um mercado aquecido. A Brasscom projeta R$ 104,6 bilhões em investimentos em cibersegurança no Brasil entre 2025 e 2028, um crescimento de 43,8%, e o volume de capital dessa ordem atrai uma oferta de soluções muito maior do que qualquer orçamento consegue absorver. Com um plano diretor ancorado no diagnóstico de maturidade em segurança da informação, cada aquisição responde a uma lacuna identificada e a um risco priorizado, e a empresa ganha o critério objetivo para dizer não, que é metade da disciplina financeira em segurança.

Falta o elemento que transforma o plano em ciclo: a reavaliação periódica. Medir a maturidade em segurança da informação uma única vez produz uma fotografia; medir anualmente, pela mesma régua, produz um filme que mostra se o investimento está se convertendo em capacidade real. É esse acompanhamento que fecha o circuito de gestão, realimenta o plano diretor com as mudanças do negócio e do contexto de ameaças e mantém a diretoria conectada ao tema com a mesma naturalidade com que acompanha os indicadores financeiros.

O estágio importa mais do que a ferramenta

Nos próximos anos, a distância entre as empresas que tratam a segurança como portfólio de ferramentas e as que a tratam como capacidade medida tende a se alargar: as primeiras seguirão comprando reativamente a cada incidente ou exigência de cliente, enquanto as segundas evoluirão por um caminho planejado, com orçamento defendido por evidência e progresso demonstrável. Reguladores, seguradoras e grandes contratantes já começaram a cobrar essa demonstração, e a maturidade em segurança da informação caminha para se tornar critério de elegibilidade comercial, não apenas virtude interna.

A Solo Iron estrutura essa jornada com o Iron PESI, o plano estratégico de segurança da informação que diagnostica o estágio atual da empresa, prioriza as lacunas por risco e desenha o plano diretor de evolução com metas, prazos e indicadores acompanháveis pela liderança. O critério para começar é objetivo: se o próximo real do orçamento de segurança não puder ser justificado por um diagnóstico, ele será gasto por impulso, e impulso é exatamente o que o invasor espera do outro lado.

Quer saber como o seu negócio pode se tornar nosso próximo case de sucesso?

Entre em contato agora mesmo!